sábado, 8 de outubro de 2011

Trova À Morte

Vinde dama misteriosa,
Das noites tempestuosas de almas.
Vinde moça pálida
Que em sonhos meus, outrora meus lábios, beijava.

Levai embora com ardor,
Levai agora minha alma;
E com vossa pura destreza,
levai também toda beleza,
por mais ínfima que seja...
mas não menos importante,
como um tonto caminhante
que deixa atrás no caminho,
Tinta, rosas, pão e vinho;
Vidas, sonhos e sorrisos.

Prostrais em mim toda a calma.
Fazei teu todo meu corpo...
Para que no mundo não seja, apenas...somente... um estorvo...
A tí, pertenço aqui e agora...
E a tí sirvo, com verdade... com apenas o meu ser...
Que somente deseja ser... seu por toda eternidade.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Desgosto....

E então... a velha senhora, espiando pela janela,
Profere seu cântico à lua.

Vinde bela lua, vinde aqui e agora!
Põe-te lá ao céu, põe-te sem demora!
A estrela apagou, e a terra chora...
Vamos! companheira, vamos! te apressas!
Pois já está tarde, pois a hora é essa!
Não demores muito, vamos por favor...
Noite sem luar, é somente horror...
Meus olhos cansados... só servem para ver,
O formoso brilho, com que me iluminas.
Agora estou velha! mas já fui menina;
E nunca esqueci... de como me alegra,
Ver a ti subir... cheia e amarela!
Ilumina os bosques , ilumina as praias
Faz sorrir os tristes, faz cantar as almas...
Quanto tempo tenho... digo-te não sei...
Mas tenho certeza, que com tua beleza, em mente morrerei.
Vinde bela lua, vinde aqui e agora!
Põe-te lá ao céu, põe-te sem demora...

A lua tentava brilhar com toda sua força, desejando que quela noite nunca chegasse.
Mas um eclipse importuno emcobria seu brilho...
A voz da senhora ficava cada vez mais distante, até que a lua não pôde mais ouvir.
E então ela chorou...  jurando que nunca mais brilharia... e até hoje é assim.

Pesadelo

Sangue em lábios...
Unhas em carne....
Prazer.... através de toda a dor!
Sodomia e lúxuria,

Copos desesperados dançam macabramente;
Arrastando-se por corredores sujos...
Mais uma atordoada mente grita!

Abrem-se os olhos do corvo
Corpos multilados...
Seres confinados...
Gritos abafados...
Gestos descuidados...





Não se pode mais acordar...
Não se pode mais acordar...





Nunca mais...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Noite e Dia

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar,

Triste está a noite, triste está o céu
Triste tudo está.

Triste acena a dama, triste acaba o drama,
Triste apaga a flama, Triste tudo está.

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar;

Triste sopra o vento, triste morre o tempo,
E o sentimento que não quer calar.

Triste seca o campo, triste canta o canto,
triste é o pranto que estáis à chorar.

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar;

Tudo vai se indo, e logo vem vindo
Um alegre rindo de algum lugar,

Tudo vai mudando, tudo vai girando,
a bola pulando, o homem à pescar;

E então

Uma vida por uma vida;

Era tudo um sonho, triste é acordar,
triste é encarar, triste é percerber que não está mais lá;

Sem alegre rindo, sem homem pescando
Humanos chorando, Humanos matando
Sem mais nada belo, nada mais... sincero
Onde o pesadelo, sempre irá reinar.

Boa é a vida, num mundo de contos
Onde tens certeza que podes mudar,
Mudar teu destino sem contar os pontos
E então só nunca, finalmente nunca,
Ter que acordar.

~'Doce Ilusão'~

E eis que surge no horizonte uma figura misteriosa, de silhueta feminina. Andava calma e com passos suaves, mas seguros.
O ser parecia carregar consigo um objeto pequeno. Carregava-o consigo, parecia que ela o estava protegendo, caminhando por dentre a colina enevoada. O som de seus passos ecoa noite a dentro.
Sua respiração ofegante podia ser notada facilmente naquele silêncio mórbido. Mas... A única coisa que se podia afirmar sobre tudo isso é que o ser, por mais inusitado que me fez parecer, me transmitiu um sentimento de paz calma e serena ao lançar-me um olhar, digamos até desafiador diante de tal momento.
A luz da lua já havia se espalhado por toda a pradaria naquele momento, o vento que cortava o ar por entre as folhas da relva, uivando para aqueles que ali passavam, orientando seu caminho.
Por horas seguindo-o, pensei que poderia ser até o fantasma de minhas ilusões passadas, mas o mesmo havia caído no esquecimento depois daquele dia... Como me dói lembrar daquele dia... O dia em que eu poderia ter salvo sua vida... Mas minhas razões momentâneas falaram mais forte naquele momento, mil vezes amaldiçoado seja de todo o ódio que por ti sentia... E agora acordo de meu sonho ilusão, mas luto contra meus anseios e ouso pensar se seria possivel novamente.
Enfim... Vejo-o seguir seu caminho sofrível ao meu ver, pois além do tudo , não me parecia estar em paz consigo... Seus longos cabelos, agora iluminados pela luz da lua, refletiam a angústia do seu enterior. Sua pele pálida e terna dava um tom de paz e melancolia à minha noite, mas... Se havia chegado até aqui... Não deveria acabar assim... Vejo-o andar até um velho carvalho. Ajoelha-se e toca a terra.
Suas lágrimas caem no chão e só então percebo que o pequeno e frágil objeto que segurava, era sua alma... Ele havia encontrado o que tanto buscou durante séculos... Ele encontrou sua liberdade.
Desde então, histórias sobre anjos que perdem sua graça são passadas durante gerações... Estórias de seres magníficos, puros e divinos que cuidam do mundo com amor e serenidade... Eu realmente queria acreditar que fosse assim.

sábado, 12 de março de 2011

Um Último Pôr-Do-Sol

Um Último Pôr-Do-Sol


Sentindo a dor corromper-te ....veia a veia....lentamente...uma agonia quente...
que desperta ao amanhecer do sol noturno....

Sentindo o frio queimar-te como fogo....escondido por detrás do último raio de sol...
que ainda insiste em se propagar pelo horizonte.....

Ao ouvires o canto do ultimo pássaro....

Fechai os olhos....lentamente...enquanto sentires a minha presença....
sentis o frio e a agonia  em tua alma...na esperança de mais um pôr-do-sol...




                                                             

Boneca de Seda

Boneca De Seda

Com o coração manchado do sangue dos não-vivos...
A pequena começa a escrever...
Escrevia um poema de amor...
Para quem um dia devorasse seu coração...
Visse que sua alma lutara para se libertar...
Alguem um dia a achou.
Pegou-a e a jogou na lareira...lareira do esquecimento eterno...
Ela queimou..sem poder dizer a niguém...que um dia amou.