quinta-feira, 7 de abril de 2011

Noite e Dia

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar,

Triste está a noite, triste está o céu
Triste tudo está.

Triste acena a dama, triste acaba o drama,
Triste apaga a flama, Triste tudo está.

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar;

Triste sopra o vento, triste morre o tempo,
E o sentimento que não quer calar.

Triste seca o campo, triste canta o canto,
triste é o pranto que estáis à chorar.

Chora a lua
e suas lágrimas caem ao mar;

Tudo vai se indo, e logo vem vindo
Um alegre rindo de algum lugar,

Tudo vai mudando, tudo vai girando,
a bola pulando, o homem à pescar;

E então

Uma vida por uma vida;

Era tudo um sonho, triste é acordar,
triste é encarar, triste é percerber que não está mais lá;

Sem alegre rindo, sem homem pescando
Humanos chorando, Humanos matando
Sem mais nada belo, nada mais... sincero
Onde o pesadelo, sempre irá reinar.

Boa é a vida, num mundo de contos
Onde tens certeza que podes mudar,
Mudar teu destino sem contar os pontos
E então só nunca, finalmente nunca,
Ter que acordar.

~'Doce Ilusão'~

E eis que surge no horizonte uma figura misteriosa, de silhueta feminina. Andava calma e com passos suaves, mas seguros.
O ser parecia carregar consigo um objeto pequeno. Carregava-o consigo, parecia que ela o estava protegendo, caminhando por dentre a colina enevoada. O som de seus passos ecoa noite a dentro.
Sua respiração ofegante podia ser notada facilmente naquele silêncio mórbido. Mas... A única coisa que se podia afirmar sobre tudo isso é que o ser, por mais inusitado que me fez parecer, me transmitiu um sentimento de paz calma e serena ao lançar-me um olhar, digamos até desafiador diante de tal momento.
A luz da lua já havia se espalhado por toda a pradaria naquele momento, o vento que cortava o ar por entre as folhas da relva, uivando para aqueles que ali passavam, orientando seu caminho.
Por horas seguindo-o, pensei que poderia ser até o fantasma de minhas ilusões passadas, mas o mesmo havia caído no esquecimento depois daquele dia... Como me dói lembrar daquele dia... O dia em que eu poderia ter salvo sua vida... Mas minhas razões momentâneas falaram mais forte naquele momento, mil vezes amaldiçoado seja de todo o ódio que por ti sentia... E agora acordo de meu sonho ilusão, mas luto contra meus anseios e ouso pensar se seria possivel novamente.
Enfim... Vejo-o seguir seu caminho sofrível ao meu ver, pois além do tudo , não me parecia estar em paz consigo... Seus longos cabelos, agora iluminados pela luz da lua, refletiam a angústia do seu enterior. Sua pele pálida e terna dava um tom de paz e melancolia à minha noite, mas... Se havia chegado até aqui... Não deveria acabar assim... Vejo-o andar até um velho carvalho. Ajoelha-se e toca a terra.
Suas lágrimas caem no chão e só então percebo que o pequeno e frágil objeto que segurava, era sua alma... Ele havia encontrado o que tanto buscou durante séculos... Ele encontrou sua liberdade.
Desde então, histórias sobre anjos que perdem sua graça são passadas durante gerações... Estórias de seres magníficos, puros e divinos que cuidam do mundo com amor e serenidade... Eu realmente queria acreditar que fosse assim.